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Perspectiva

Pressão psicológica e ansiedade competitiva: o que a NFL pode nos ensinar?

João Victor Carvalho da Silva · Psicólogo Clínico
Jogadores de futebol americano em disputa de bola

No futebol americano, poucos momentos deixam tão evidente o peso da pressão quanto uma jogada decisiva. O relógio correndo, o placar apertado, o estádio inteiro esperando alguma coisa acontecer e um atleta sabendo que, em poucos segundos, uma decisão pode mudar o rumo de uma partida. É fácil imaginar que, nesse momento, o problema seja simplesmente "ficar nervoso". Mas a experiência é um pouco mais complexa do que isso.

A pressão competitiva pode mudar a forma como o atleta percebe a situação. Um erro que, durante um treino, seria apenas parte do processo pode ganhar outro significado em uma partida importante. O pensamento deixa de ser apenas "qual é a próxima jogada?" e pode passar a ser "eu não posso errar", "se eu errar, a culpa será minha" ou "preciso provar que consigo". A atenção, que deveria estar voltada para a leitura do jogo e para a execução, começa a ser ocupada pela tentativa de controlar o próprio desempenho e as consequências de uma possível falha.

Isso pode acontecer com o quarterback antes de um passe, com o kicker diante de um field goal ou com qualquer outro jogador em uma situação de alta responsabilidade. E sentir tudo isso não significa necessariamente que o atleta esteja despreparado. Ansiedade, preocupação e ativação fisiológica fazem parte de situações que importam. O ponto não é simplesmente eliminar essas experiências, como se fosse possível entrar em campo sem sentir pressão.

Na prática, o desafio psicológico pode estar justamente em conseguir continuar fazendo aquilo que precisa ser feito enquanto essas experiências estão acontecendo. Aceitar que o corpo está acelerado, perceber que o pensamento de "não posso errar" apareceu e ainda assim voltar a atenção para a leitura da jogada, para a próxima decisão e para aquilo que está sob seu controle.

No futebol americano, assim como em outros esportes, não existe garantia de que o atleta vai acertar a jogada. O trabalho psicológico também não deveria ser construído em torno dessa promessa. O objetivo é desenvolver recursos para que a pressão não determine sozinha a maneira como o atleta se relaciona com o próprio desempenho.